24 de nov de 2008

Gêmea portadora de Esclerose Múltipla


Um só DNA e dois destinos

As mesmas roupas, os mesmos sapatinhos, os mesmos laços de menina. Mas nada é tão igual quanto parece. Os olhares procuram direções diferentes. O sorriso de uma não combina com a cara brava da outra. A fivela muda de lado no cabelo. Pequenas diferenças que fazem parte de um grande mistério: em que momento gêmeas idênticas selaram seu destino? Uma grave doença mudou a vida de Elaine e Eliane de Mello Campos. Eliane tem esclerose múltipla, uma doença com predisposição genética e que afeta o sistema nervoso. Já são 15 anos de tratamento. Elaine abandonou o trabalho em outra cidade para cuidar de Eliane.

"As duas tiveram as mesmas doenças: catapora, sarampo, coqueluche", conta a mãe delas, a dona de casa Eny de Mello Campos. Mas só uma desenvolveu a esclerose múltipla. Ela acontece quando o sistema de defesa do organismo ataca células nervosas saudáveis do próprio corpo. É uma doença que não tem cura e, para a medicina, ainda traz muito mais perguntas do que respostas.
"O fator genético é importante. Mas há algo mais associado na gênese dessa doença", esclarece o médico neurologista Carlos Augusto Damasceno.
Dizem que no mundo não há uma só pessoa igual à outra, nem mesmo os gêmeos. Cada um reage de um jeito diferente aos desafios do corpo e da vida. No caso das gêmeas idênticas de Juiz de Fora, difícil é saber por que uma adoeceu e a outra não. Tão iguais na aparência, mas com destinos tão diferentes. Para os pesquisadores, as respostas para o tratamento da esclerose podem estar exatamente nessas diferenças.
No laboratório da Universidade Federal de Juiz de Fora, os pesquisadores tentam decifrar o enigma. Vão estudar as células das duas irmãs para saber como funciona o sistema de defesa delas.
"Elaine pode ter determinadas proteínas que estão controlando seu sistema imunológico para que ela não fique doente, enquanto na Eliane esse controle foi quebrado por algum motivo", diz a imunologista Ana Paula Ferreira. "Eu acredito que, conhecendo esse mecanismo, possamos propor uma futura terapia para a doença "
Na casa de dona Eny, mãe das gêmeas, outra filha tem esclerose múltipla: Fernanda, a caçula. Ela tem se beneficiado dos avanços da medicina: toma remédios modernos que controlam a doença. Quando Eliane adoeceu, essa medicação não existia.
"Deus me fala que a Elaine não teve justamente para passar sua força para a Eliane. Se fosse o contrário, a Elaine não suportaria", comenta dona Eny.
"Acho que minha missão hoje é com ela. Eu vim para ficar com ela. Então, acho que só vou separar quando uma das duas não estiverem aqui", diz a escrevente Elaine de Mello Campo.

Esta matéria foi veiculada em: 28/09/2007

2 comentários:

SANDROWAL disse...

Esse bog é muito útil....

Eu gostei muito das reportagens eu queria o vídeo das gemeas, que uma tem E.M. e a outra não, se alguem puder me arrumar

Valeu Deny

Beijos

SANDROWAL disse...

A.... tem tbm a Fernanda, nossa amiga do orkut que é portadora de EM, e é irmã delas

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