17 de dez de 2009

Mulheres são mais leais que homens quando parceiro tem doença terminal



Um diagnóstico de câncer pode abalar qualquer relacionamento, mas quando uma mulher recebe a notícia de uma doença que bota a sua vida em perigo, ela tem seis vezes mais chances de ser abandonada pelo companheiro do que abandoná-lo em uma situação semelhante.


O estudo realizado com 515 pacientes na Universidade de Medicina de Stanford, nos Estados Unidos, analisou os casos de pacientes com diagnóstico de câncer e esclerose múltipla, e descobriu que a taxa de divórcios para casos como esses é de 12%, número próximo ao encontrado na população normal.

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Entretanto, quando os pesquisadores começaram a analisar as diferenças de gêneros entre os divórcios, descobriram que quase 21% das mulheres doentes passaram por um divórcio, enquanto apenas 3% dos homens foram largados pelas parceiras. Os pesquisadores sugerem que os homens têm um menor compromisso para cuidar das parceiras doentes, enquanto as mulheres assumem melhor as tarefas da casa e as responsabilidades familiares.

“Parte do que acontece é devido à auto-preservação, e nos homens isso parece acontecer mais, eles não sentem a co-dependência, esta necessidade de cuidar do parceiro que tem uma doença e corre risco de morte”, explica o neurologista Marc Chamberlain, que realizou o estudo. “Eles decidem que a melhor alternativa é encontrar uma parceira alternativa, e abandonar a esposa”.

As descobertas do estudo foram feitas a partir de um acompanhamento realizado com os pacientes desde 2001 até 2006. o grupo que participou do estudo, com um número igual de homens e mulheres, tinha 214 pessoas com tumores cerebrais, 193 com tumores não ligados ao sistema nervoso e 108 pacientes com esclerose múltipla. Apesar dos diferentes diagnósticos, os resultados dos divórcios foram sempre maiores com as mulheres doentes.

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Chamberlain reforça que um diagnóstico como esses é chocante: “Nos encontramos no papel de cuidadores de alguém com câncer, e isso não afeta apenas o paciente, mas toda a família”, diz. Ele lembra que o paciente pode ser a única pessoa encarregada das finanças ou a pessoa que mantém a casa em ordem. Além disso, no caso dos tumores cerebrais e esclerose múltipla, a personalidade dos pacientes pode mudar. “Isso não é fácil para as outras pessoas”, diz o neurologista.

Ainda assim, os pesquisadores descobriram que ficar juntos é o melhor para o casal: “Descobrimos que os pacientes divorciados ou separados tiveram um maior número de hospitalizações durante a doença, o que acredito que reflete a falta de apoio social”, afirma Chamberlain. O pesquisador também afirma que estes pacientes têm menores chances de participar de testes clínicos, procurar tratamentos alternativos ou até mesmo manter o tratamento tradicional adequadamente.
 [Live Science]



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