14 de jan de 2010

ESCLEROSE MÚLTIPLA E O CALOR



Texto escrito e enviado por email pelo neurologista da UNICAMP Dr. Leonardo de Deus Silva sobre o calor e a esclerose múltipla visando preparar portadores para o verão.

No verão as pessoas passam a maior parte do tempo sob o calor do sol equatoriano e assim exerce sua liberdade plena, portanto nos pacientes de EM isso causa um certo temor.

Como já foi comprovado o calor exacerba os sintomas da Esclerose Múltipla.

Vamos recordar a história da banheira de água quente para diagnosticar a doença...

Esse fenômeno de apresentar os sintomas em função do calor é conhecido como fenômeno de Uhthoff, o mecanismo fisiológico que envolve essa manifestação ainda é pouco entendida, mas acredita-se que como acontece em pessoas que não tem Esclerose Múltipla, quando o corpo atinge uma temperatura mais alta as fibras nervosas mielinizadas tendem a ter uma transmissão mais rápida.

Quando a temperatura corporal aumenta nos pacientes com Esclerose Múltipla essa transmissão nervosa que passa pelas fibras desmielinizadas tendem a ficar mais lenta em relação aos outros, o que faz levar aos sintomas.

O importante é que essa piora de sensações não quer dizer necessariamente que seja uma piora da doença e sim “seqüelas” de áreas lesadas. Portanto esse desconforto tende a melhorar com a redução da temperatura corporal e não significam surtos.

Quando se fala em aumento da temperatura, estamos querendo dizer que não precisa ser apenas a temperatura externa como o calor que faz lá fora, que nos deixa assim, mas vale lembrar também do aumento dessa temperatura provocada por alguns fatores como a febre, a intensa atividade física, piscinas aquecidas e até a utilização de alguns dos medicamentos para a o controle da EM, como é o caso de alguns interferons que aumenta a temperatura do paciente logo após a injeção. Isso no caso do medicamento, tende a melhorar com o tempo e com a tolerância da pessoa ao remédio.

O recomendado para enfrentar o calor é que as pessoas evitem exercícios que causem muito cansaço, banhos quentes e exposição prolongada ao sol, evitando principalmente os horários de 11 às 15h.
Sempre dar preferência a lugares climatizados com ar- condicionado, climatizadores ou umidificadores. Tomar muito líquido, principalmente água e também se render a cubinhos de gelo para aliviar o calorão e refrescar um pouco.

Se caso o calor provocar maior cansaço e forte fadiga, o ideal é o paciente conversar com o seu médico e caso o mesmo ache necessário, pode indicar uma medicamento coadjuvante desses sintomas.

O sol é benéfico ao metabolismo para fixação do cálcio e da Vitamina D, porém é necessário alguns cuidados como evitar os horários de sol forte, usar boné ou chapéu, usar óculos de sol, usar protetor solar e mantendo boa hidratação e uma alimentação equilibrada incluindo verduras e frutas, com esses pequenos cuidados fica muito mais tranqüilo curtir o verão.

Em Tempo: Dr. Leonardo de Deus Silva é Médico Neurologista pela UNICAMP, Membro Titular da Academia Brasileira de Neurologia, Mestre e Doutorando em neurologia na UNICAMP, Fellow em Neuroradiologia pela Universidade de Ottawa, Canadá.


Um comentário:

Sarah Fer disse...

Boa tarde! Achei muito interessante a reportagem sobre o calor e a esclerose múltipla, pois assim como o Doutor comentou sinto muita fadiga e os sintomas pioram no verão, fica até difícil para andar cansa demais, pensei que estava tendo outro surto, no inverno para mim é muito melhor. Poderiam me informar qual seria os exercícios indicados para quem tem muita fadiga muscular ao caminhar. Grata! Sarah

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