21 de abr de 2010

Um embrião com três pais

Matéria Publicada em: 19/04/2010

Duas mulheres e um homem envolvidos na concepção podem ajudar a evitar doenças


A última descoberta da fecundação in vitro é o transplante de DNA − uma técnica que utiliza óvulos de duas mulheres e esperma de um homem para conceber embriões sem doenças graves.

Para ter um filho saudável pode não bastar apenas um óvulo e um espermatozóide.
Nas famílias em que há incapacidades como a Distrofia Muscular ou a Ataxia Cerebral, de geração em geração, a solução poderia passar por submeter-se a um novo procedimento que permite eliminar essa herança imperfeita em laboratório.

Cientistas da Universidade de Newcastle, no Reino Unido, demonstraram que é possível criar embriões humanos saudáveis a partir de material genético de duas mulheres e um homem. A investigação, publicada na mais recente edição da Nature, poderá estar disponível nas clínicas de reprodução assistida dentro de três anos.

A técnica foi pensada para evitar a transmissão de doenças mitocondriais, um grupo de 150 patologias não muito frequentes, mas devastadoras. São doenças que causam demência, cegueira, distúrbios no sistema nervoso e nos órgãos vitais como no coração ou nos rins. Transmitem-se por via materna, através do DNA que existe nas mitocôndrias, fora do núcleo do óvulo.

Estas estruturas estão em todas as células do organismo, excepto no sangue. As mitocôndrias são responsáveis pela produção da energia necessária à vida. Uma característica única destes organelos celulares é que o seu próprio DNA é procedente da mãe.
 
Para evitar a transmissão dessa carga genética, que pode transportar doenças, a nova técnica baseia-se num “transplante de mitocôndrias” ao embrião. Através da fecundação in vitro, extraem-se os núcleos dos espermatozóides do pai e o óvulo da mãe, que contêm o DNA dos pais, onde as mitocôndrias defeituosas não entram. Os núcleos são implantados posteriormente no óvulo de uma mulher saudável, sem o núcleo mas com as suas mitocôndrias.


Mudar a bateria


"O que fazemos é como mudar a bateria de um computador. Com a entrada de energia necessária, funciona correctamente e a informação do disco duro não se altera”, explica Doug Turnbull, responsável pela investigação.

As mitocôndrias não levam informação genética que define as características de uma pessoa. Deste modo, os bebés que nasçam através deste procedimento vão ser parecidos com os seus pais ‘reais’. Na sua concepção tiveram elementos genéticos de três pessoas, mas apenas o DNA nuclear dos seus pais terá influência na sua aparência física e noutras características gerais.

Com este processo, já se criaram 80 embriões viáveis que não se implantaram em nenhuma mulher. Mantiveram-se com vida em laboratório durante oito dias, até que alcançaram o estágio blastócito. Entretanto foram destruídos, como manda a legislação britânica.

A técnica não deixa de ser polémica porque supõe a manipulação do embrião e contém genes de três progenitores: do pai, da mãe mais um pequena adição de DNA mitocôndrial da doadora.

Fonte: http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=41791&op=all#cont

2 comentários:

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