17 de abr. de 2010

Células-tronco ajudam a tratar Diabetes e Esclerose Múltipla



Médicos também pesquisam a capacidade que elas teriam de regular o sistema imunológico a ponto de evitar a rejeição.






"Ele não calçava a sandália, não amarrava o tênis, não calçava meia. Mesmo a roupa, ele Não vestia, não tomava banho sozinho. Agora, não. Agora, ele fala: ?não, mãe. Agora, não. Eu já posso fazer sozinho?", conta Maria de Lurdes Marques, mãe de Diego.


O jovem não conseguia mais andar sozinho. Já a estudante de economia Tatiana Acar, quanto mais comia, mais emagrecia. "Eu estava com muita sede. Eu saía no meio da rua, tinha que parar para beber água, tomar um suco. Eu nem reparava, não sabia nada desses sintomas. Só reparava que estava emagrecendo muito."


No caso de Tatiana, era diabetes tipo 1. Diego desenvolveu esclerose múltipla, de uma hora para outra. O que os dois têm em comum é a equipe médica, um grupo de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, pioneiro na pesquisa de células-tronco para o tratamento de doenças auto-imunes.


O hematologista Júlio Voltarelli, da Universidade de São Paulo (USP), comanda vários grupos de pesquisa que os cientistas chamam de protocolos. O de Diego é desenvolvido em parceria com duas universidades fora do país: uma do Canadá e outra dos Estados Unidos.


"O Diego foi sorteado para o transplante, fez o transplante e faz dois meses e ele não está tendo surto. Vejo esse resultado extremamente positivo. É claro que a gente tem que seguir o paciente durante vários anos, mas inicialmente um paciente que está tendo surtos a cada 15 dias, faz o procedimento e para de ter surtos, a gente fica otimista", afirma Júlio Voltarelli.


Depois de muita pesquisa, os médicos já sabem que o efeito das células-tronco é mais promissor, quando a doença ainda está no começo.


"Aqueles outros que já estão na fase progressiva já têm sequelas. E esses pacientes na fase precoce não têm sequelas. Então, o transplante interrompendo o surto, leva o paciente a ter uma vida praticamente normal. Esse é o objetivo desse projeto novo", explica o hematologista.


Diego e Tatiana estão muito contentes com o resultado, mas, nem por isso esquecem como foi difícil aceitar a idéia de se tornar uma ?cobaia? humana. "Eu ficava na dúvida, mas ao mesmo tempo eu falava: ?já não tenho mais injeção, já estou na última, não tive melhora nenhuma. Então, melhor eu fazer o transplante mesmo?", declara Diego.


Para Tatiana também, era arriscar ou passar a vida sofrendo restrições alimentares e tomando altas doses de insulina diariamente. "Minha cabeça ficou fervendo. Eu não conseguia pensar em mais nada. Eu fui à minha médica de novo para saber o que ela achava, mas ninguém podia falar nada, é uma coisa muito séria para você dar uma opinião que pode mudar a sua vida completamente", conta a jovem.


E ainda tinha que escolher entre dois protocolos de pesquisa: o mais usado, com quimioterapia para zerar o sistema imunológico - o que sempre representa um risco para o paciente - e a novíssima experiência com células-tronco mesenquimais, que acabou sendo a opção de Tatiana.


"O protocolo são oito infusões, e eu já fiz essas oito. Então, eu estou em avaliação, mas eles também querem que eu faça mais, porque eles estão vendo que está tendo resultado, porque está baixando a dose. Então, se eu fizer mais, de repente vou poder baixar ainda mais as doses e parar de tomar a insulina", revela a jovem.


As células-tronco mesenquimais existem em vários tecidos como na gordura e na parede dos vasos. Além do poder de regeneração, os médicos também pesquisam a capacidade que elas teriam de regular o sistema imunológico a ponto de evitar a rejeição.


"O que nós fazemos é retirar da medula óssea e pode ser retirada de outros tecidos, mas no nosso projeto é da medula óssea. E a gente injeta a célula no paciente sem a quimioterapia. Essa que é a grande vantagem", explica o hematologista Júlio Voltarelli, USP.


A irmã gêmea de Tatiana, que doou a medula para a irmã, acabou ganhando destaque no grupo de pesquisa, porque a quantidade de células mesenquimais que se reproduziram em laboratório surpreendeu os médicos.


"Geralmente, quem doava era pai. Como eu sou uma pessoa mais nova, a tendência é ela se reproduzir mais. Então, a minha irmã fez oito infusões e, como sobraram bastantes células, eles pediram para eu doar para outro paciente", diz Juliana que aceitou doar mais células


É uma revolução em curso. Para ver o que acontecia no organismo de Tatiana, os médicos fizeram uma cintilografia, e essa imagem rara entrou para a história. A expectativa era ver as células-tronco concentradas no pâncreas, o órgão que mais sofre com o diabetes.


Mas elas aparecem mais nos rins e principalmente nos pulmões. É que Tatiana tem asma e a inflamação provocada pela doença pode ter atraído as células-tronco que tem uma vocação anti-inflamatória.


"É isso o que a gente está fazendo: tentando entender esses mecanismos de como a célula mesenquimal estimula outra célula para ela se diferenciar e ter a capacidade de regenerar o tecido", aponta a bióloga Maristela Orellana, da USP.


"Isso agora vai demandar um estudo muito grande, onde nós vamos comparar células-tronco de diferentes fontes, de cordão umbilical, de tecido adiposo, de polpa dentária, de sangue menstrual, e ver qual é a vocação de cada uma para formar tecido. E isso vai ser um passo importante para a gente poder usar em futuras terapias", declara a geneticista Mayana Zatz, da USP.




Epstein-Barr pode não estar relacionado com esclerose múltipla

Matéria publicada em: 16/04/2010





Embora alguns estudos tenham identificado uma ligação entre a infecção pelo vírus Epstein-Barr e o risco aumentado de Esclerose Múltipla, uma nova investigação questiona o papel do vírus no desenvolvimento da doença, avança o site Tribuna Médica Press.

Num artigo publicado no jornal Neurology, os investigadores explicam que análises ao fluido espinal e aos tecidos cerebrais de pessoas com Esclerose Múltipla não revelaram material genético do Epstein-Barr.

Esta ausência, defendem, indica que o vírus não está directamente envolvido no processo da doença.

O Epstein-Barr é um herpesvírus extremamente comum, que provoca mononucleose em algumas pessoas. Estima-se que cerca de 95% da população mundial entre em contacto com este vírus.

Alguns estudos epidemiológicos revelaram que as pessoas com níveis elevados de anticorpos para o Epstein-Barr – o que indica uma resposta imunológica mais elevada à infecção – podem ter um risco mais alto de Esclerose Múltipla.

Esta relação, contudo, não prova que o vírus contribui directamente para o desenvolvimento da doença, defendem os autores.

15 de abr. de 2010

Novo tratamento com Ampyra será administrado para esclerose múltipla avançada

Matéria Publicada em 14/04/2010

Droga melhora funções sensoriais e motoras, oferecendo um aumento na velocidade de locomoção dos pacientes.


Droga desenvolvida pela Universidade McMaster oferece nova esperança para portadores de Esclerose Múltipla avançada. A Ampyra (dalfampridine nome genérico) foi aprovada na semana passada pelo E.U. Food and Drug Administration. Segundo Robert Hansebout, neurocirurgião e responsável pela pesquisa, a droga apresentou melhoraras nas funções sensoriais e motoras, oferecendo um aumento na velocidade de locomoção dos pacientes.

"Por mais de 30 anos minha pesquisa tem se dedicado a melhorar a qualidade de vida das pessoas com lesão da medula espinhal. Ampyra é o primeiro produto que vem para o mercado que realiza esta meta ilusória", diz Hansebout.

O médico afirma que a Ampyra irá reforçar a independência de um número significativo de pessoas em todo o mundo que sofreram danos à medula espinhal, devido à Esclerose Múltipla. Pretendendo futuramente, estender os benefícios para as pessoas com lesão medular.

"A investigação não é imediatamente gratificante, mas com perseverança, pode melhorar a vida das pessoas", disse Mo Elbestawi, vice-presidente de pesquisa e assuntos internacionais de McMaster University.




Genzyme apresenta dados positivos de estudo de fármaco para esclerose múltipla

Matéria Publicada em: 15/04/2010

Novos dados de um estudo clínico apresentados quarta-feira num encontro da American Academy of Neurology revelam que 71% dos doentes com Esclerose Múltipla a tomar o fármaco da Genzyme para a leucemia linfocítica crónica Campath® (alemtuzumab) ficaram livres da doença clinicamente activa em até três anos pós-tratamento, em comparação com 35% dos doentes tratados com Rebif® da Merck KGaA (interferon beta-1a), avança o site FirstWord.

Comentando o estudo, cujos resultados provisórios foram publicados em 2008 no NEJM, o investigador Omar Khan disse que "esses dados iniciais podem definir um novo patamar para os resultados clínicos na Esclerose Múltipla".

No ensaio de Fase II CAMMS223, 334 doentes com Esclerose Múltipla reincidente-remitente foram randomizados para receber uma de duas doses de Campath® dada em dois ou três ciclos anuais de cinco dias ou Rebif® dada três vezes por semana durante três anos.
Depois de quatro anos, 91% dos 122 doentes que tomam Campath® não experimentaram o desenvolvimento de incapacidades por doença, em comparação com 68% dos 36 doentes a tomar Rebif®.

Além disso, 77 por cento dos% que receberam Campath® permaneceram livres de recorrência, em comparação com 49% dos doentes no grupo a tomar Rebif®.

Estatinas podem conter avanço da esclerose múltipla após primeiro surto

Matéria Publicada em: 15/04/2010

 


As estatinas parecem ter um impacto na progressão da Esclerose Múltipla, de acordo com investigadores da Universidade da Califórnia em São Francisco, nos EUA. Um estudo envolvendo apenas 81 participantes revela que o fármaco redutor de colesterol também diminui a incidência de lesões cerebrais no cérebro dos doentes no início da doença, avança o site Ciência Diária.

Ao longo de 12 meses, 55,3% dos doentes que sofreram o primeiro ataque e imediatamente começaram o tratamento com doses diárias de 80 miligramas de atorvastatina (comercializada pelo laboratório Pfizer como Lipitor®) não desenvolveram nenhuma nova lesão cerebral, ao passo que 27,6% do grupo placebo tiveram algum novo dano cerebral.

“Os nossos dados são preliminares, e precisamos de um estudo maior para confirmar os efeitos do fármaco e da sua magnitude.
É importante entendermos o impacto das estatinas na progressão da Esclerose Múltipla para melhor informar os médicos e doentes sobre os efeitos, uma vez que esses fármacos são muito usados nos EUA e no mundo, além de saber se eles podem ser usados como uma terapia oral relativamente barata para conter o avanço da doença”.


A Esclerose Múltipla é considerada uma doença auto-imune em que células imunológicas atacam o sistema nervoso central.
Os nervos são feitos de axónios (fibras neurais) circundados por uma bainha de mielina.
A doença ocorre quando o sistema imunológico passa a atacar esse local, deixando cicatrizes ou lesões nas áreas de desmielinização do cérebro e medula espinhal.
O dano causado à mielina interrompe a habilidade dos nervos de transmitirem informações às células nervosas, resultando em deficiência neurológica.


13 de abr. de 2010

Vacina que não dói tem entre 100 e 300 microagulhas

Matéria publicada em 12/04/2010

Criação de japoneses evita contato com terminações nervosas.




Remédio solidificado fica na forma da ponta da agulha e se dissolve.

A Universidade Farmacêutica de Kyoto, no Japão, está desenvolvendo uma injeção que não dói. Para quem tem medo, pode parecer assustador: em vez de uma agulha, são usadas de cem a trezentas, conforme o remédio injetado. Mas são tão pequenas que não atingem as terminações nervosas, portanto não causam dor. Elas ficam presas a um disco, do tamanho de uma moeda. O método também não usa seringa.



As microagulhas desenvolvidas pela equipe do professor Kanji Takada tem meio milímetro de altura. A metade superior é formada pelo remédio solidificado, que fica na forma da ponta da agulha. Quando elas são injetadas, o remédio se dissolve e penetra no organismo.
Cientistas conseguem produzir vacina que não precisa de refrigeração


Os pesquisadores garantem que não dói. Então, a reportagem do Jornal Nacional se submeteu a um teste. O disco precisa ficar grudado à pele de 1 a 3 minutos. De fato, não se sente nada. A sensação é como se houvesse uma lixa bem fina sobre a pele. Fica apenas uma pequena marca.

Nos testes com um corante azul, a pele do voluntário ficou cheia de pontinhos. Aos poucos o corante foi se dissolvendo e, 24 horas depois, não havia mais nenhum vestígio.

Segundo os pesquisadores, ainda não foram injetados medicamentos em humanos – isso começa a ser feito até o ano que vem. Mas nos testes em animais, a agulha se mostrou eficiente para injetar insulina e remédios para câncer.

Teoricamente, a agulha pode ser usada para quase todos os remédios e vacinas, com exceção daqueles que precisam ser aplicados em grande quantidade e de uma vez só. Há outra vantagem: o disco não entra em contato com o sangue e é feito de material biodegradável. Pode ser jogado no lixo comum sem o risco de contaminação.

7 de abr. de 2010

Arranca Fase III de novo estudo comparativo entre tratamentos para Esclerose Múltipla






Matéria Publicada em: 06/04/2010



A Biogen Idec e a Elan Corporation plc anunciaram no início do mês o arranque da fase III b SURPASS, um ensaio aleatorizado, com ocultação para o avaliador, controlado e desenhado para avaliar a mudança do tratamento com acetato de glatirâmero ou com (interferão beta-1a sc) para o Tysabri® (natalizumab), em pessoas com esclerose múltipla (EM), avançam as companhias em comunicado. 
Prevê-se que o estudo SURPASS envolva 1800 doentes de 27 países, incluindo Portugal, e forneça dados comparativos em relação a diferentes opções de tratamento para doentes que apresentam actividade da doença apesar do tratamento.

“Apesar de medicados, muitos doentes com EM acabam por ver a sua doença progredir, o que resulta numa perda de capacidade física e danos permanentes ao nível do sistema nervoso central”, declarou Richard Rudick, presidente do comité executivo do SURPASS e director do Centro Mellen para o Tratamento e Investigação da Esclerose Múltipla da Cleveland Clinic. 

“Actualmente, há poucos dados para sustentar as decisões de mudança de tratamento nas pessoas que, mesmo sob medicação, apresentam actividade da doença. Por isso, o objectivo do estudo SURPASS é o de fornecer dados para que os médicos possam afinar as suas decisões e melhorar os resultados nos doentes com EM”, completou, justificando, assim, a importância do estudo.

Um número significativo de doentes com EM continua a ter surtos e a ver a sua doença progredir, apesar do tratamento com imunomoduladores, tais como o acetato de glatirâmero e o interferão beta 1a sc. O estudo SURPASS, um ensaio clínico de grandes dimensões, controlado, irá avaliar a mudança para Tysabri®, comparando-a com a manutenção da terapêutica com acetato de glatirâmero ou com o interferão beta 1a sc ou a mudança entre estes dois tratamentos. O objectivo é determinar se a utilização precoce de Tysabri® no algoritmo terapêutico acaba por conduzir a melhores resultados.

Para Alfred Sandrock, vice-presidente sénior do Departamento de Investigação e Desenvolvimento de Neurologia na Biogen Idec, “o Tysabri® é uma opção terapêutica interessante, que representa um sentimento de esperança para muitos doentes com EM”.

“Ao avaliar o Tysabri® em relação a outros tratamentos para esta patologia, o nosso objectivo é fornecer os dados necessários para que se possam tomar melhores decisões clínicas e aumentar a qualidade de vida dos doentes”, acrescentou o mesmo responsável.

“Acreditamos que o estudo SURPASS tem potencial para melhorar o modo como temos vindo a abordar esta doença”, afirmou Carlos Paya, presidente da Elan. É que, “apesar dos avanços científicos no tratamento da EM, ainda há muitas necessidades clínicas sem resposta nesta área e o estudo apoia o compromisso de continuar a avançar na abordagem da EM”.

O Tysabri® está aprovado em mais de 45 países. Nos EUA, foi aprovado para formas específicas de esclerose múltipla e, na União Europeia, para a EM do tipo surto-remissão.



FONTE:  http://www.rcmpharma.com/news/7567/51/Arranca-Fase-III-de-novo-estudo-comparativo-entre-tratamentos-para-Esclerose-Multipla.html
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